
Rafael San Filho – Colunista esportivo
O duelo secular entre Brasil e França carregou, dentro de campo, o que se considera um dos clássicos mais desequilibrados de todos os enfrentamentos que tiveram, uma contra a outra, as duas equipes nas suas respectivas vidas; de um lado a França e do outro… é o que chamamos de O Brasil contemporâneo.
Eu jamais havia visto, em toda minha vida, a seleção brasileira de futebol abrindo mão de ter um jogo ofensivo. Se fosse apenas a desistência do jogo que sempre teve, mas também há abstinência do jogo bonito, que é igualmente réu. Vimos, no início, um Brasil que parecia saber que precisava ser cirúrgico, que havia de ter paciência até que o gol fosse questão de tempo. Tendo um time que começou marcando bem, Ancelotti encontrou dificuldades para entrosar o ataque; e antes de qualquer justa acusação, ouso dizer que é Carlo Ancelotti outro culpado pelo diferente estilo de jogo do Brasil hoje. Nessa ideia de marcar com mais jogadores atrás da “linha da bola”, colocou em cheque o caráter da seleção nacional. Que é sempre lembrada por partidas de brilhar os jogos e por jogos singulares, com um toque especial verde e amarelo. Mas nada de especial há nesse time. Nada mais contagia.
Raphinha, jogador mais importante do Barcelona e decisivo no clube, não concluiu um passe certo olhando para frente. Muito pela ausência de alguém que lhe exija a bola, mas principalmente por falta de qualidade quando se depara vestido com a camisa mais pesada do futebol. Foi, com muita certeza, o pior ataque em campo desde a era Dorival, não conseguiam criar jogadas claras.
E enquanto isso, na dorminhoca zaga brasileira, Mbappe aparecia entre Bremer e Léo Pereira com um espaço maior que os vinte e quatro anos do Brasil longe do Hexa. Daí se tirou o primeiro gol adversário, lindo e humilhante, cobrindo o goleiro Ederson numa cavada excepcional. E o Brasil, que pouco finalizara, depois de ver o vexatório gol, agora ainda menos! A seleção não reagiu!
Foi no início do segundo tempo que percebi que, dessa vez, não era o Brasil quem sambava. O futebol está sendo cruel com a maior equipe nacional do planeta. Quem sambava como pentacampeã era a França. Viu-se até uma diferença no time brasileiro quando entrou em campo o jogador do Zenit, Luiz Henrique: fintava, gingava, sambou até onde pôde e conseguiu desestabilizar a defesa adversária. Mas até ele deixou a desejar, em certo momento. No mais tardar do jogo, Ekitiké cavou igualmente a Mbappe e aumentou o placar; dois a zero pros franceses, outro gol humilhante.
Saía Raphinha pro próprio Luiz Henrique, Martilnelli dava a vaga a João Pedro.. Entraram Igor Thiago, Danilo Santos e Ibañez (o pior defensor da partida) e nada mudou. Nada alterava aquele amargo resultado naquele teste, que trará tantas conclusões.
O Brasil não entrou no jogo, nem depois de seu gol; Bremer conseguiu, sofridamente, diminuir para a seleção, que não conseguia ir forte pro ataque. Deu-se a concluir que Vinícius não mereceu a titularidade. Com risco de pecar na fala, afirmo com segurança de que, na seleção, Vini não merece a confiança que recebe. Não condiz, não ofende de forma constante. Mas no Real Madrid, ainda se reerguendo de má fase, ele crava na Champions e baila na frente da bandeirinha sem medo nenhum. É um total deconhecido que vem de Madrid para defender a seleção braseira.
Antes do árbitro apitar o fim da partida, o time treinado por Ancelotti teve muitos minuto para se redimir, não o fez porque não soube. Suponha-se que se o Brasil progrida nesse caminho, vão sambar em cima de nós como sambou a França.
